Nessie, o monstro do Lago Ness

Confira todas as curiosidades, avistamentos, fotos, teorias e muito mais sobre Nessie, o monstro que dizem viver no Lago Ness, nas Terras Altas da Escócia.

O Great Glen é uma enorme falha geológica que cortou a região das Terras Altas, na Escócia. Ele forma uma corrente de rios, canais e lagos ou lagoas, que conectam o Mar do Norte com o Oceano Atlântico. Um desses lagos, o Lago Ness, é o lar de talvez um dos mais famosos enigmas critozoológicos de nosso tempo.

Lago Ness, o maior lago de água doce nas Ilhas Britânicas, tem 38 km de comprimento e, em certo ponto, 2,7 km de largura. Tem uma profundidade média de 230 metros. Sua água é fria e turva, com correntes perigosas. Em suma, é o lugar perfeito para esconder um monstro que desperta olhares curiosos até mesmo da ciência.


Vários navegantes do norte da Escócia descrevem lendas antigas sobre monstros que nunca foram descobertos. Um conto que supostamente ocorreu em 565 d.C. narra a história de São Columba, que salvou um nadador de um monstro faminto no rio Ness. Essa história foi citada no livro “A Vida de São Columba” e muitas vezes se conecta com avistamentos que ocorreriam mais tarde nas proximidades.

Em 1933, depois que uma nova estrada foi construída ao longo da borda do lago, o número de avistamentos aumentou. O primeiro deles ocorreu em 14 de Abril, quando os donos de uma pousada em Drumnadrochit, os Mackays, observaram um enorme animal rolando e mergulhando no lago. Eles relataram a Alex Campbel, o responsável pela regularização da pesca do salmão na região. Campbel passou muito tempo no lago e viu o monstro várias vezes depois que soube da criatura pelos Mackay.

Campbel descreveu a criatura como tendo “um pescoço longo, com cerca de 2 metros de comprimento, e uma cabeça pequena como a de uma serpente, com uma enorme corcova”. Ele estimava que o monstro tivesse cerca de 9 metros de comprimento.

A primeira fotografia da criatura foi tirada em 1933 por Hugh Gray. Gray relatou: “Eu imediatamente peguei minha câmera e tirei a foto da criatura a 60 cm da superfície da água. Eu não vi nenhuma cabeça, porque as partes dianteiras estavam na água, o que eu vi parecia ser a cauda”.


Provavelmente a foto mais famosa do Monstro do Lago Ness seja a foto supostamente tirada pelo Coronel Robert Wilson em 1934. Ela mostra um pescoço longo e fino que se eleva acima da água conectado a uma corcova. Esta foto é considerada uma farsa, após a confissão de Christian Spurling, que ajudou a construir o monstro modelo que foi fotografado. Marmaduke Wetherell, que usou o nome de Wilson para ter mais credibilidade ao publicar a foto no Daily Mail, admitiu a farsa pouco antes de morrer em 1993 aos 90 anos.

No início de 1934 houve um avistamento terrestre da criatura. Arthur Grant, um jovem estudante de veterinária, estava passando com sua motocicleta quando quase bateu em uma criatura que cruzava a estrada. A descrição de Grant do monstro foi cabeça pequena, longo afunilamento do pescoço e da cauda, com um corpo volumoso e nadadeiras, muito parecido com o plesiossauro. Este que fora um contemporâneo reptiliano aquático dos dinossauros, extinto há mais de 65 milhões de anos.

Em Abril de 1960, Tim Dinsdale, ao visitar o lago, fez a primeira filmagem do monstro. Embora o vídeo mostre pouco, um grupo de especialista em fotografia da Força Aérea Real declarou que o objeto era “provavelmente” animado e tinha até 27 metros. Os céticos argumentaram que a coisa era provavelmente uma lancha. Dinsdale ficou tão convencido de suas próprias imagens que abandonou sua carreira como coordenador aeronáutico e dedicou os últimos anos de sua vida a encontrar o monstro. Ele foi recompensado com mais dois avistamentos da criatura, mas nunca foi capaz de reunir alguma prova incontestável de sua existência.



O próximo grande evento envolvendo a criatura seria o estudo iniciado em 1970 pela Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos. O grupo, liderado pelo Dr. Robert Rines, usou câmeras automáticas e sonares para monitorar a criatura. Em 1972, uma das câmeras subaquáticas obteve quatro frames do que parecia ser uma nadadeira de 2 metros de comprimento.

Uma noite, Peter Davies, um membro da equipe de Rines, estava em um pequeno barco no lago quando teve um encontro próximo com a besta. O sonar de seu barco havia detectado algo estranho. “Não me importo em dizer que foi uma sensação estranha”, disse Davies. “Remar pela água escura, sabendo que havia um animal muito grande a apenas 10 metros abaixo era realmente assustador”.

Embora a foto mais vista pelo público pareça mostrar claramente algo que se parece com a barbatana em forma de diamante de um plesiossauro, alguns especialistas em fotografia argumentaram que a imagem foi retocada. Nas imagens originais a interpretação é muito mais ambígua.


Em 1975 uma das câmeras da equipe capturou uma imagem vaga e difusa que poderia ser interpretada como a face do monstro. A fotografia, conhecida como a “cabeça de gárgula“, foi identificada por uma expedição posterior como os restos de um toco de árvore.

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Buscas por sonar


Vários pesquisadores empregaram sonares para achar o monstro e tiveram resultados variados. Em 1968, o professor DG Tucker da Universidade de Birmingham, testou um protótipo de sonar no lago. O transdutor foi montado em um lado do lago, apontando para o lado oposto de modo que quaisquer objetos passando através de seu feixe seria detectado. Durante um período de duas semanas, vários objetos até 6 metros foram detectados vindos do fundo até metade do lago, mas nunca até a superfície. O tamanho e a forma de se movimentar não pareciam com a de nenhum peixe conhecido. Tucker até declarou: “A alta taxa de ascensão e descida faz com que pareça muito improvável que eles possam ser peixes, e os biólogos que consultamos não sabem que peixes eles podem ser. É uma tentação supor que eles podem ser o fabuloso Monstro do Lago Ness, agora observado pela primeira vez em suas atividades subaquáticas”.

Um ano depois, Andrew Carroll, pesquisador do Aquário de Nova York, usou o sonar de sua pesquisa para varrer o lago e pegou um forte som de alguma criatura que teria em torno de 6 metros de comprimento. Nenhum objeto encontrado por Carroll ou por Tucker foi definitivamente identificado.

Roy Mackal, biólogo da Universidade de Chicago que estava interessado em criptozoologia, construiu um sistema de microfones subaquáticos e os colocou no lago para ver se conseguia detectar os sons que o monstro poderia fazer. Sons parecidos com os de pássaros, batidas e “cliques” foram gravados. Mackal achou que estava lidando com um animal com ecolocalização para encontrar e caçar sua presa. Ele observou que os sons paravam sempre que um barco passava e continuava depois de ter alcançado uma distância segura.

A mais recente exploração por sonar do lago foi em 2004, quando uma expedição da BBC usou 600 feixes de sonar para sondar o lago de ponta a ponta. Qualquer animal vivo seria detectado, e não foi encontrado nenhum sinal de uma grande criatura em suas águas. Os esforços continuaram, até mesmo um submarino pequeno foi usado para explorar as profundezas do lago, mas nenhuma evidência convincente foi encontrada.

Uma população reprodutora


Certamente não existe apenas um Monstro do Lago Ness. Se realmente há algo naquele lago, deve haver uma população reprodutora, mesmo que seja apenas uma dúzia ou até mesmo uma centena deles. Existem algumas fotografias que parecem mostrar mais do que uma das criaturas juntas.

Se há realmente uma população de criaturas no Lago Ness, quem são elas? Algumas das provas, como o avistamento do jovem veterinário, apontam para o plesiossauro. Mackal sugeriu que pudesse ser um grande mamífero como um peixe-boi ou um basilosaurus (baleia primitiva). Outros sugerem que seja uma espécie desconhecida com longo pescoço de foca ou ariranha. Antes, Mackal também considerou que poderia ser uma lesma do mar gigante. Alguns pesquisadores sugerem que seja uma enguia.

Os céticos argumentam que a água no lago é muita fria para um réptil como o plesiossauro, embora estudos recentes sugerem que alguns dinossauros e, portanto, talvez o plesiossauro, eram de sangue quente. Eles também argumentam que um animal que respira bastante como um plesiossauro ou até mesmo uma baleia ou foca, iriam gastar muito mais tempo na superfície e seriam vistos com maior frequência. Qualquer população de criaturas de sangue quente também exigiria uma grande fonte de alimento. Apesar de ter crescido bastante, a população de peixes no lago ainda seria insuficiente para suportar um grande grupo de predadores.

Explicações não animais

Alguns cientistas se perguntam se os avistamentos poderiam ser causados por ondas subaquáticas conhecidas como ondas estacionárias ou seicha, que acontecem às vezes em lagos profundos de águas frias, como o Lago Ness. A onda não é visível na superfície, mas move-se debaixo da água. Essa onda pode ser poderosa o suficiente para empurrar os detritos da superfície, parecendo uma estranha criatura.

Outra teoria usada pelo Dr. Maurice Burton sugere que toras de pinho que caem no lago podem apodrecer, criando gás no interior da madeira que não pode inicialmente sair devido a resina na casca. À medida que a pressão aumenta, no entanto, a vedação pode romper-se, impulsionando-o até à superfície. Isto pode explicar alguns dos avistamentos.

Farsas


Infelizmente, a história do monstro do Lago Ness está cheia de pessoas criando farsas. Em 1933, Marmaduke Wetherell que pensaram ter sido o responsável pela primeira foto falsa da criatura, inventou que havia encontrado a pegada de um animal de grande porte na lama ao longo da costa do Lago Ness. A marca foi criada usando uma pata de hipopótamo seca. O incidente, relatado no Daily Mail, humilhou Wetherell, que mais tarde teve sua vingança quando a “Surgeon’s Photo” apareceu na mesma publicação.

Uma das mais nítidas fotos do monstro do Lago Ness foi tirada por Anthony “Doc” Shiels em Maio de 1977. A imagem foi tão clara que imediatamente os especialistas céticos afirmaram que seria um boneco.


Em Março de 2005, dois estudantes americanos que visitavam o lago alegaram ter encontrado um dente gigantesco preso na carcaça de um cervo. No entanto, o objeto era, na verdade, o chifre de um veado muntjac. Toda a história acabou por ser uma jogada de marketing para um romance de horror intitulado “The Loch“, escrito pelo autor Steve Alten.

Mais recentemente, no final de setembro de 2016, o fotógrafo amador Ian Bremner disse ter tirado uma foto do que seria o monstro do Lago Ness. A foto foi publicada até mesmo no “The Sun“, porém, claramente se trata de focas ou lontras nadando em fila.


Nessie entrou para a cultura popular e é um símbolo reconhecido em todo o mundo. Além de aparecer no livro de Alten, Nessie tem sido destaque em muitos filmes. Isso inclui aparições em “The Loch Ness Horror“,”A vida íntima de Sherlock Holmes” e mais recentemente em “Meu Monstro de Estimação“.

Se o monstro realmente existe e não é uma brincadeira ou um golpe publicitário, é extremamente evasivo. Nenhum osso ou resto jamais foram encontrados. Parece impossível afirmar a existência da criatura, podemos apenas esperar e ter paciência, ou um pouco de sorte, para que o futuro nos traga novidades sobre o lendário monstro do Lago Ness.

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