Kappa: O demônio da água japonês

Saiba mais sobre Kappa, o demônio da água japonês que vive em rios, lagos e lagoas. Ele ataca crianças e faz de travessuras leves até coisas pesadas.

A linha que demarca a fronteira entre o “real” e o “mítico” é muito mais curta em algumas culturas do que em outras. Enquanto nós, no Ocidente, tendemos a desenhar uma linha muito severa e nunca permitir que coisas se cruzem entre si, outras culturas não são tão rigorosas.

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Monstros são frequentemente mal-intencionados, geralmente eles existem para proteger e patrulhar fronteiras bem como tabus culturais. Um exemplo é a maneira com que no Ocidente, serial killers costumam atacar mulheres jovens e bonitas que vivem sozinhas.

No mundo real, serial killers geralmente atacam crianças e pessoas indefesas. Dificilmente você irá ver um filme em que um serial killer ataca uma mulher feia, casada, ou com mais de 40 anos de idade.

O primeiro fato sobre o Kappa na cultura japonesa moderna é de quem ele come crianças que se aventuram sem vigilância em rios e lagos. O Kappa tem o tamanho e o formato de uma criança, embora tenha pele de peixe e obviamente, cheiro de peixe. Resumindo, ele é uma espécie de ponto final na desobediência das crianças, é como uma espécie de valentão da escola na imaginação da mesma.

Mito ou não, algumas cidades no Japão tem sinais perto de rios e lagos que seriam sinais de que o Kappa esteve ali. As crianças que se aproximam dessas águas são avisadas de que elas podem ser pegas pelo Kappa. Essas histórias são contadas de gerações em gerações, assim como no Ocidente, os pais tendem a dizer aos filhos sobre o homem do saco e afins. Moradores de vilarejos japoneses costumavam escrever seus nomes em pepinos e jogá-los em um rio, acreditando que isso irá manter os Kappas longe de suas famílias.

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Ainda contam os japoneses que o Kappa pode ser derrotado por boas maneiras. O topo da cabeça de um Kappa tem a forma de uma tigela e contém um pouco de água. Se essa água derramar, o Kappa ficará paralisado e pode morrer.

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Por exemplo, peça a uma pessoa com uma xícara de café para que ela te diga que horas são olhando o seu relógio. O mesmo funciona com o Kappa, segundo conta a lenda, você pode dar um objeto a ele com extrema educação, após isso, peça o objeto de volta com educação, ele irá devolver, após isso, curve-se como sinal de educação, ele irá fazer o mesmo, a água irá derramar e ele morrerá.

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Quando não está atacando crianças, o Kappa faz jus a sua aparência infantil, ele vive fazendo travessuras, assim como o saci e várias outras lendas brasileiras. Uma coisa bizarra sobre na lenda do Kappa e o fato de que ocasionalmente ele pode sugar uma pessoa pelo seu reto. Dizem que o Kappa é descendente de bebês abandonados em rios.

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O Kappa é uma figura constante na cultura moderna, além de ser citado em algumas obras, vários personagens são inspirados nele, como por exemplo: Sagomon e Shawjamon do anime Digimon, Psyduck, Golduck e Lombre do anime Pokémon, um jogador de futebol no episódio 100 do desenho Super Onze, os Koppas – inimigos dos jogos da franquia Super Mario – e por fim, no terceiro ano de Harry Potter, o professor Lupin ensina a seus alunos sobre o mesmo.
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Múmias de Kappa

Várias múmias de Kappa foram feitas por artistas do período Edo. A maioria foi feita usando partes de animais como corujas, raias e macacos.

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A múmia de Kappa da imagem acima pertence ao Musel Nacional de Etnologia de Leiden, na Holanda. Esse Kappa – que agora tem nacionalidade holandesa -, foi forjado usando várias partes de animais, já descritos aqui. Eles eram criados para serem usados em fins de entretenimento em uma espécie de carnaval no período Edo.

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Já a múmia de Kappa acima, pertence ao templo de Zuiryuji de Osaka, no Japão. Eles têm 70 centímetros e data de 1682.

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A múmia acima pertence a uma empresa de Matsuura, no Japão. De acordo com a empresa, esse Kappa mumificado foi encontrado em uma caixa de madeira por carpinteiros, quando estavam substituindo um telhado velho, que possuía em torno de 50 anos. Quando viram que se tratava de uma antiguidade de seus antepassados que passava de geração em geração, os proprietários da empresa construíram um altar para a múmia e a tratam como um “deus do rio“.

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